No quarto com João e Pablo

João Oliveira e Pablo Cordier convivem diariamente, trocam impressões sobre o mundo, sobre o trabalho que desenvolvem e até fazem planos de futuro. Mas nunca haviam participado de um processo de criação como o que estão vivendo agora no Volume II do ENTRE.

Única dupla a assinar conjuntamente um dos trabalhos da Galeria ENTRE, eles comemoram o primeiro processo colaborativo entre os dois; admitem também ser essa a primeira vez que se dedicam a uma instalação. É um momento, portanto, carregado de novidades para todos – artistas e público!

Pablo é um artista visual cuja pesquisa investiga os fenômenos, como se designam através do tempo ou do espaço e o modo como sua essência é percebida no mundo, desenvolvendo trabalhos em fotografia e vídeo, e seus possíveis prolongamentos. João é artista visual e gravador, e trabalha com a gravura e seu encontro com outros suportes, buscando subverter ferramentas e técnicas para encontrar novas possibilidades de criação através das situações vividas e de um repertório de realidades inventadas para si. A partir do dia 06 de abril, abrem juntos a porta do seu “Quarto”na Galeria ENTRE, para revelar camadas – tão sutis quanto pungentes – de temas como permanência e impermanência envolvidas no afeto. Como surgiu o convite para participar da Galeria ENTRE? João Oliveira – Nós conhecemos o Alexandre em razão do Circuito das Artes, um conjunto de exposições artísticas que acontecia na cidade na ocasião, quando ele viu os nossos trabalhos individuais e adquiriu uma obra do Pablo. Mais tarde ele adquiriu uma obra minha e assim começou a nossa relação. Entendemos que existia uma admiração mútua e quando surgiu a oportunidade de uma segunda edição do ENTRE, que tem uma proposta de diálogo com linguagens artísticas diferentes da primeira, veio o convite para trabalharmos juntos. Quais seriam as principais diferenças de uma exibição nos moldes da que acontecerá na Galeria ENTRE para outras das quais vocês já participaram? João Oliveira – De modo geral, nós temos um trabalho artístico solitário, apesar de estarmos em constante correspondência um com o outro e com outros artistas amigos. Pablo Cordier – São muitas as diferenças desse modelo de exibição para outros, mas a maior delas é a imposição de uma proposição de trabalho. O desafio se institui precisamente em receber essa wearable e trasncontextualiza-la desde a nossa perspectiva. Quais foram suas primeiras reações ao receber a peça designada a vocês? João Oliveira – A primeira reação é o estranhamento, porque, claro, a wearable nunca é como imaginamos; e depois vem uma ânsia-carência de entendimento, uma busca de reconhecimento, de oposição, confronto...

Vocês acreditam que ela tem relação com o trabalho que vocês vêm desenvolvendo? Pablo Cordier – Acreditamos que é impossível não estabelecermos relação entre o trabalho desenvolvido para o ENTRE e o que viemos desenvolvendo até aqui, mesmo que a linguagem com a qual trabalhamos seja diferente da habitual. As questões que concernem nossos processos criativos perpassaram toda a construção da obra. Como vem sendo a produção criativa compartilhada entre vocês? João Oliveira – Nossa produção criativa para o ENTRE tem sido no sentido de falar em uníssono... Foi preciso consonância, porque são muitas vozes. Por que vocês acham que ficaram com o “Quarto”? Pablo Cordier – Porque somos um casal; a própria wearable dava indícios dessa escolha. O que podemos esperar do resultado final do trabalho de vocês? Pablo Cordier – Podem esperar um trabalho diferente daquele que estão habituados a associar aos nossos nomes como artistas, visto que somos conhecidos pelo trabalho com a gravura em metal e a fotografia. Inclusive, nunca havíamos feito uma instalação até então, nem mesmo trabalhado juntos artisticamente. Como vocês descreveriam o trabalho que estão desenvolvendo para a Galeria ENTRE? João Oliveira – O trabalho para o ENTRE é uma instalação, que chamamos de “e toda obscuridade fugirá de ti”. A ideia surgiu da própria natureza da wearable, que trazia implícita, para além do seu sentido literal, a conotação de impermanência e de o que há de permanente naquilo que muda como metáfora do relacionamento afetivo, amoroso ou não, com seus movimentos incessantes de fluxo e refluxo, fluidez, renovação e transformação. Mais que isso não podemos falar, pois, como diria a Clarice, é segredo.

*Com entrada franca, a Galeria ENTRE estará aberta ao público a partir do dia 06 de abril e até o dia 07 de maio, sempre de quarta a sábado, das 14h às 20h, e aos domingos, das 14 às 18h, numa casa do boêmio bairro do Rio Vermelho (Rua Odilon Santos, 190). O projeto foi contemplado pelo Edital 06/16 Setorial de Artes Visuais do Fundo de Cultura do Governo do Estado da Bahia.

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