Pode entrar: Os limites entre moda, arte e performance serão questionados mais uma vez  pelo  projeto “ENTRE: Objetos para vestir, diálogos sensíveis”, que ganha em Salvador, a partir do mês de abril de 2017, uma galeria pop-up (Galeria ENTRE) para exibir e ressignificar as obras de artistas/grupos de diferentes mídias artísticas, convidados para conceber obras através das informações não verbais presentes em uma wearable art.

 

Quem faz a proposição é o designer de moda baiano Alexandre Guimarães, criador das indumentárias fornecidas aos artistas e diretor artístico do projeto ENTRE. A partir da provocação feita com o objeto para vestir, o corpo/espaço acessado torna-se protagonista, e um novo desmembramento do projeto surge, focado em um espaço de construção contemporâneo. Esse lugar chama-se ENTRE. Um lugar de fronteira; um lugar permeável.

 

Na primeira edição de “ENTRE: Objetos para vestir, diálogos sensíveis”, contemplado pelo Edital de Artes Visuais do Fundo de Cultura do Estado da Bahia em 2014, 16 artistas convidados criaram oito “capítulos”, apresentados quinzenalmente em diferentes espaços, públicos e privados, na região metropolitana de Salvador. Nesse primeiro momento, as indumentárias foram criadas com o intuito de acionar um artista cuja performance resultante produzia uma interpretação por um segundo artista, através de registros em fotos e vídeo-artes, resultando na obra do capítulo. Todas as obras foram difundidas no site e nas redes sociais do projeto.

 

No Volume II as peças criadas por Alexandre servem como catalizadoras das obras elaboradas a partir de linguagens artísticas distintas. Decidindo ou não utilizar diretamente os vestuários em suas criações, a ideia é que cada artista se expresse a partir da contaminação entre linguagens, propondo um hibridismo gerado a partir da descentralização do processo criativo. Estão sendo construídas cinco peças para esse momento, cinco “capítulos”, e em cada um deles haverá a participação de profissionais de diferentes áreas, que produzirão, a partir das indumentárias, ações de caráter performativo/sensorial, instalações, fotografias, produtos em audiovisual ou o que mais surgir a partir da fricção gerada.

 

Sala, Quarto, Cozinha, Banheiro e Área de convivência são os títulos dados aos ambientes dos cinco capítulos que integram o ENTRE Volume II. Em 2017, portanto, a indumentária fornecida passa a permear não mais apenas um possível corpo que a veste, e sim, o espaço em que ele habita. A Galeria ENTRE!

 

Com entrada franca, a Galeria ENTRE estará aberta ao público a partir do dia 06 de abril e até o dia 07 de maio, sempre de quarta a sábado, das 14h às 20h, e aos domingos, das 14 às 18h, numa casa do boêmio bairro do Rio Vermelho (Rua Odilon Santos, 190). O projeto foi contemplado pelo Edital 06/16 Setorial de Artes Visuais do Fundo de Cultura do Governo do Estado da Bahia.

 

Foto: Leto Carvalho

ALEXANDRE GUIMARÃES

Genuíno soteropolitano, Alexandre Guimarães, 32 anos, cresceu buscando mais a aproximação com a arte do que propriamente com a moda. Essa inclinação o levou a iniciar o curso de artes plásticas na Universidade Católica do Salvador e fazer alguns cursos livres no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) antes de direcionar a carreira para a moda. A partir dessa decisão, entrou no curso de estilismo da Universidade Cândido Mendes, no Rio, e concluiu a formação superior na Faculdade da Cidade do Salvador.

Antes mesmo de terminar a graduação, lançou a primeira coleção da ALG, “Construção Doméstica”, e em 2007 ficou pela primeira vez entre os finalistas do concurso Novos Talentos do Barra Fashion, então Oi Barra Fashion Tour Bahia, com a coleção “Da praia ao asfalto”. De volta ao concurso, também entre os finalistas, em 2008 Alexandre apresenta a coleção inverno “c/TaTo”. Os resultados positivos foram o trampolim para projetos nacionais, levando a marca ao Rio Moda Hype Inverno 2009 com a coleção “Sucata”, que investiu no beneficiamento de tecidos.

Além do trabalho em Moda, Alexandre Guimarães desenvolveu trabalhos voltados para o figurino. Em 2008 foi figurinista da performance art “Dia de Branco” (Bienal do Recôncavo) da performer Rose Boaretto, e o espetáculo “Estudo para Cabide” (Setorial de Dança - FUNCEB). Em 2010, assinou o figurino do espetáculo “Autólise” (Setorial de Dança - FUNCEB). Em 2011, assinou o longa metragem “A Coleção Invisível” do diretor francês Bernard Attal. Em 2012 foi figurinista do espetáculo “A Mulher Gigante” (Lia Lordelo - Dimenti) e da performance art “S/Título” (MAC - Feira de Santana) do performer Lucas Moreira. E em 2014, assinou o figurino de seu segundo longa metragem, Tropykaos, do diretor Daniel Lisboa.

 
1 ENTRE
2 Fachada
3 Acervo
4 Sala
5 Sala
6 Quarto
7 Banheiro
8 Banheiro
9 Cozinha
10 Cozinha
11 Área
12 Área
13 Corredor

© 2017 por Vicente Queiroz.

Esse projeto foi contemplado pelo Edital nº 06/2016 - Setorial de Artes Visuais da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.